Mãe Guerreira

By 5 de maio de 2017Notícias

Em nossa sede, enquanto os filhos passam o dia brincando nos computadores ou playground, nós interagimos com as mães que fazem aulas de artesanato e costura, acompanhadas de voluntárias ou funcionárias. Nossa instituição existe para a criança e o adolescente, sendo esse o nosso foco de atendimento, mas não podemos deixar de ver a importância do bem estar do acompanhante, em benefício do próprio paciente.
Uma das mães da casa de apoio Gota de Amor, que recebemos na sede, a CHIRLEY SANTOS VITOR, freqüenta a nossa sede há 4 anos, desde que passou a morar nessa casa de apoio. Seu filho, MIGUEL AUGUSTO SANTOS VITOR, de 9 anos começou a se tratar de um problema renal com pouco mais de 1 ano de idade. Há 8 anos vieram para São Paulo em busca de tratamento. Vindos do interior de Sergipe, deixaram para trás a maior parte da família, pois o Miguel tem 3 irmãos, de 19, 16, e uma irmã de 6 anos, que estão sob os cuidados da avó materna, que tenta minimizar a ausência dessa mãe e irmão, cuja vida familiar, seu lar e emprego foram trocados por abrigo em uma casa coletiva, rotinas ambulatoriais/hospitalares e a dor da saudade. A Chirley como todas as outras guerreiras na mesma situação, lida com os problemas do dia-a-dia, com percalços da doença do filho, com sua angustia maior que é não conviver com a família, inclusive ausente na criação de filhos na primeira infância. Talvez por conseqüência dessa vida emocional, ela tenha constantes e fortes dores de cabeça, e a dúvida de que a mesma seja cefaléia, sinusite ou outra moléstia, pois por causa da dedicação integral ao filho e pouca condição financeira, tem dificuldade em tratar de si. Sempre foi uma lutadora e aproveita todas as oportunidades que a vida lhe dá pelo caminho, como aprender coisas novas que, além de distrairem seus pensamentos, acrescentam conhecimentos para aumentar suas chances de sobrevivência financeira. Ela sempre mostrou-se interessada nas aulas de artesanato e costura do Projeto Felicidade e tem inúmeras peças confeccionadas por ela própria, que leva para sua residência de origem, nas pausas do tratamento do filho. No ateliê de costura, com a professora Maria, deu-se muito bem e viu nessa terapia ocupacional uma possibilidade de ajuda financeira para manutenção de sua vida. Já usa roupas oriundas de sua própria execução e quer tornar isso mais gratificante. Há poucos meses, alugou uma casinha bem próxima à casa de apoio e lá foi viver com o Miguel. A convivência continua quase a mesma, pois a Chirley continua a visitar as outras mães para apoiá-las, reconhece a ajuda que recebeu da diretora da casa e retribui ajudando nas tarefas e participando das atividades do grupo, inclusive da vinda semanal à nossa sede. Mostrando essa forma de viver, chamou a atenção da proprietária da casa onde mora, que trabalha como costureira terceirizada de uma oficina, que vendo essa inclinação e empenho, lhe ofereceu a oportunidade de ser sua auxiliar, com remuneração por produção. No momento, a Chirley está na fase de aprendizado e treinamento de costura de bolsas, frasqueiras e mochilas em tecido e anda muito animada com a nova atividade.
Durante o tempo das famílias na sede, os voluntários e funcionários tentam minimizar o sofrimento e stress delas, não só mantendo suas mãos ocupadas, como também tentar a suavidade de suas mentes, com conselhos úteis, conversas amenas e outros assuntos sadios que dão estímulo e motivação a elas. Algumas vezes, durante uma atividade ou nas refeições, uma delas deixa escapar uma dúvida ou preocupação, que é rapidamente dissolvida nessa interação entre todos. Às vezes pequenos desabafos são trocados por nosso abraço para que se sintam acolhidas e vitalizadas

(por Maria Lúcia F. Caetano – Voluntária)

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